Eu sempre pensei que as coisas seriam diferentes, na minha mente eu tinha uma ideia formada, pronta, de que se me mandassem tirar minha mecha, eu diria um simples “não” e viraria as costas.
Mas não podemos virar as costas para nossos sonhos.
Todo sonho realizado precisa de um sacrifício pra acontecer.
Eu queria poder abrir uma porta sem ter que fechar outra, mas acho que isso não é possível no momento.
Na vida, ou na morte, uma porta sempre vai se fechar pra você abrir outra. Não dá pra viver no passado. O que passou, passou. Vou sentir falta? Vou. E quanta.
Apesar de ser só cabelo, sinto que estou deixando um pedaço de mim, da minha alma, pra trás. E enquanto escrevo isso, lágrimas estão silenciosamente acariciando meu rosto como que em um gesto de compaixão.
Ao mesmo tempo, me sinto um tanto quanto fútil e superficial ao ligar tanto para um pedaço de cabelo. Mas fazia parte de mim, afinal, eu realmente era conhecida por ser a menina de cabelo rosa que não tinha medo de ser quem era. Continuo sem ter esse medo e continuo sendo eu mesma, sem medo do que vão pensar ou falar de mim, quando eu falar por mim mesma.
A porta que estou abrindo não é garantida. Pode ser que nada dê certo, nada. Mas eu preciso tentar, não é mesmo?
Se ninguém tentasse, o que seria do mundo hoje? Entendam que se ninguém falasse o que pensa, se ninguém corresse atrás dos sonhos, se ninguém tentasse, nós não estaríamos nem perto de onde estamos hoje.
Estou tentando e sei que pode dar errado. Mas se der, pelo menos saberei que tentei e não vou viver com o arrependimento de não ter tentado, nem com aquele “e se” na minha mente para sempre.
Fiz minha escolha e uma escolha pode mudar uma vida ou não, mas se mudar, que seja para melhor.
Estou tentando fazer com que seja.


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