Friday, February 25, 2011

A dor. "Por que ficar machucando devagar? Por que não apenas doer tudo de uma vez e parar de imediato?"

A dor, ela nunca para. Mas é como a grande maioria dos sentimentos, excluindo as explosões de tais: não há sentimento que venha do nada ou que passe fácil. O ódio, o amor, a felicidade, a calma, a raiva, a tristeza e o torpor: todos vêm lentamente como a dor e, assim, vão se desenvolvendo, chegam a um ápice e vão sumindo aos poucos; deixam vestígios e marcas. Isso não é algo exclusivo da dor: ela não vai nunca chegar e ir embora numa batida de nossos entorpecidos corações, pois nenhum sentimento faz isso; nós apenas não percebemos.
A dor é superestimada! E eu, principalmente, sou culpada de superestimá-la. Dedicamos à dor lágrimas, palavras, gritos, fotografias, músicas, textos rabiscados e folhas amassadas. Dedicamos à ela muito mais tempo do que deveríamos em nossas vidas curtas e sem sentido.
E quem sabe se parássemos de superestimá-la, ela iria ser como todos os outros sentimentos (apenas mais presente, muito mais). E talvez passássemos a perceber menos essa presença. E ela se tornaria, um dia,  de fato menos presente.
A dor nunca cessará. Entretanto, somos nós quem escolhemos: deixaremos mesmo que ela tome conta de nossas vidas?

Wednesday, February 16, 2011

mal entendidos e atitudes erradas.

você está sempre sorrindo. sendo o mais simpática o possível. fazendo o impossível para que ele te note, inconscientemente, pois é tudo real. você não consegue esconder o sorriso quando o vê, e faz papel de boba sempre.
ele brinca com você, te ilude, pega na sua mão, sorri, olha nos olhos.
você cai de amores. mais ainda, é claro, se possível.
um dia você decide virar o jogo. só fazer uma brincadeira, mostrar que talvez ele pudesse te perder. ele já sabe que te tem na palma da mão, afinal. você usa o tom de desafio.
ele fica bravo. joga tudo na sua cara.
você não dorme por uma noite.
no dia seguinte, ele te trata normal.
mas aos poucos, as pegadas na mão, os sorrisos e as ilusões vão ficando para trás.
um mal entendido e uma atitude errada foi tudo o que levou para que o toque dele sumisse por um tempo, e para que a saudade se instalasse.
não que uma vez o toque dele tenha sido presente, mas ter as mãos deles na minha por cinco segundos todos os dias era o que mantinha meu coração batendo, acelerando; estancava o sangue, fazendo com que eu não morresse de hemorragia. interna. é claro.

Tuesday, February 15, 2011

Rascunho, novembro de 2010 #2

E a verdade é que não existe essa de "I don't belong".
Sim, pertencemos ao lugar onde estamos, por mais que sejamos considerados outcasts, por mais errados que pareçamos, por mais que não nos encaixemos, por mais que queiramos fugir; pertencemos a esse lugar.
Estamos exatamente onde deveríamos estar: para que aprendamos a lidar com quem odiamos, para que aprendamos como não nos encaixar e para que aprendamos, principalmente, a fazer do lugar que odiamos algo que desperte o amor em nós.
Ou para que simplesmente aprendamos a fugir da maneira certa, sem arrependimentos, sem olhar para trás. Sem sentir saudade.

Rascunho, novembro de 2010

Talvez eu nunca caia na real de que eu não preciso ser perfeita, de que eu posso não ser perfeita e de que, mesmo que eu fosse, ele nunca me daria seu amor.
Entretanto, não consigo tirar de minha mente que se eu fosse muito mais inteligente, mais bonita, se eu saísse mais, se eu fosse mais velha e, uma vez mais, mais inteligente... Ele me amaria. Quem sabe talvez ele pelo menos gostaria de mim. Amor é uma palavra forte... mas quem sabe. Quem sabe. Talvez.
Às vezes eu só queria ter a capacidade de fazer as coisas que ele faz. Eu só queria fazer alguma coisa melhor do que ele. Ele deve me achar burra. Ele deve me achar inútil. E é foda. 
Às vezes eu só queria voltar a gostar dos idiotas. Contudo, gosto dele. E é assim que tem que ser. É pra eu aprender.