Friday, February 25, 2011

A dor. "Por que ficar machucando devagar? Por que não apenas doer tudo de uma vez e parar de imediato?"

A dor, ela nunca para. Mas é como a grande maioria dos sentimentos, excluindo as explosões de tais: não há sentimento que venha do nada ou que passe fácil. O ódio, o amor, a felicidade, a calma, a raiva, a tristeza e o torpor: todos vêm lentamente como a dor e, assim, vão se desenvolvendo, chegam a um ápice e vão sumindo aos poucos; deixam vestígios e marcas. Isso não é algo exclusivo da dor: ela não vai nunca chegar e ir embora numa batida de nossos entorpecidos corações, pois nenhum sentimento faz isso; nós apenas não percebemos.
A dor é superestimada! E eu, principalmente, sou culpada de superestimá-la. Dedicamos à dor lágrimas, palavras, gritos, fotografias, músicas, textos rabiscados e folhas amassadas. Dedicamos à ela muito mais tempo do que deveríamos em nossas vidas curtas e sem sentido.
E quem sabe se parássemos de superestimá-la, ela iria ser como todos os outros sentimentos (apenas mais presente, muito mais). E talvez passássemos a perceber menos essa presença. E ela se tornaria, um dia,  de fato menos presente.
A dor nunca cessará. Entretanto, somos nós quem escolhemos: deixaremos mesmo que ela tome conta de nossas vidas?

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